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Num projeto internacional, interpretar mal um termo pode custar mais do que um mau cálculo

Um gestor pode ter o produto certo, o mercado certo e um parceiro sério — e mesmo assim interpretar mal a situação porque uma palavra, uma sigla ou uma fórmula jurídica foi compreendida depressa demais.

VocabulárioAcordoCaso prático

O jargão não é uma questão de forma

No dossiê UE-Mercosul, este risco é real. Entre EMPA, iTA, aplicação provisória, SPS, MRLs ou GIs, o vocabulário não serve apenas para revestir os textos: determina o que já se aplica, o que continua pendente, e o que ainda pode bloquear uma operação.

Num projeto de exportação, um termo mal compreendido pode levar a uma má decisão. Acreditar que um acordo «já está em vigor» quando só se aplica a título provisório, confundir uma descida tarifária com uma abertura total do mercado, ou subestimar o alcance de exigências sanitárias, não é um problema académico: é um erro de avaliação.

Alguns termos que vale a pena decifrar depressa

Um pequeno glossário costuma bastar para evitar os mal-entendidos mais dispendiosos:

  • EMPA — o acordo de parceria alargado entre a UE e o Mercosul
  • iTA — o acordo comercial interino, a parte que pode produzir efeitos antes da ratificação completa
  • Aplicação provisória — parte do dispositivo já pode produzir efeitos, sem que o conjunto esteja definitivamente ratificado
  • SPS — as regras sanitárias e fitossanitárias, essenciais para produtos alimentares, agrícolas, animais ou vegetais
  • MRLs — os limites máximos de resíduos autorizados
  • GIs — as indicações geográficas protegidas
  • MFN — a cláusula da nação mais favorecida, útil para compreender certos níveis pautais de referência

O que isto muda na prática

Para uma empresa, a questão não é «dominar o jargão» para causar boa impressão. A questão é mais simples: saber o que está realmente aberto, o que continua condicional, e que restrições continuam a aplicar-se apesar do acordo.

Ou seja, antes de discutir volumes, preço ou calendário, vale por vezes a pena garantir uma etapa menos visível: verificar que as palavras usadas no dossiê significam realmente o que se pensa.

O que é preciso reter

Num dossiê como o UE-Mercosul, o jargão não é acessório. Estrutura a decisão. Uma sigla mal compreendida pode fazer crer que um mercado está mais aberto do que realmente está, ou que uma restrição desapareceu quando continua a aplicar-se.

Antes de investir tempo num projeto, vale a pena fazer uma coisa muito simples: traduzir corretamente os termos-chave do dossiê antes de traduzir o projeto num plano de ação.

Fontes oficiais